Aprenda a definir uma estratégia para obter ganhos reais de performance na indústria farmacêutica

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Por Franklin Lima, Diretor 

É necessário estratégia. O segmento farmacêutico brasileiro parece andar na contramão da maioria dos outros setores da economia no país. Isso porque, mesmo com o cenário econômico desaquecido dos últimos anos, a projeção é que os varejistas farmacêuticos alcancem um crescimento de  5% a 8% até 2020, segunda pesquisa da IQVIA.

Com isso, o Brasil deve se tornar o 5º maior mercado mundial, ultrapassando a França, dona da posição atualmente. Nada mal para quem estava na 7ª posição em 2015 e passou a ser 6º colocada em 2017, atrás apenas de EUA, China, Japão, Alemanha e França.

Alguns dos fatores que corroboram para essa evolução da indústria farmacêutica no cenário nacional são o aumento da expectativa de vida; novas tecnologias; medicamentos genéricos; preocupação por parte dos brasileiros com seu bem-estar e saúde; e fusões e aquisições.

Inovação versus gestão da empresa no presente

O especialista em estratégia e inovação Vijay Govindarajan destaca em seu best seller “The Three Box Solution” que uma estratégia de sucesso só é sustentada se inovação (empresa do futuro) e gestão da empresa no presente andarem de mãos dadas com a coragem de abandonar os valores e práticas que amparam o negócio atualmente e que não servirão para a empresa de sucesso que precisa existir no futuro. Os gestores das empresas, principalmente CEOs, CFOs e os responsáveis por estratégia, deverão apoiar este crescimento com uma cultura de inovação sem esquecer de investir na eficiência da gestão presente. Afinal, é a que garantirá a continuidade da geração de caixa de forma consistente para financiar o futuro.

Vale dizer que uma gestão eficiente do negócio presente é mais evidente nas empresas que mantém posição de liderança consistente.  Uma vez que elas conseguem administrar o negócio fazendo a correta sintonia dos indicadores de performance que realmente agregam valor e que criam uma cultura de mudança que não tenha apego ao que já existe para sustentar o negócio hoje.

Além disso, a gestão eficiente também está diretamente associada à escolha de um modelo de administração. Ou seja, o ideal é que os processos e sistemas que permitam o crescimento consistente gerem pouco impacto na cultura de mudança e que não suguem as energias da pesquisa e desenvolvimento que criará a empresa futura.

Para mostrar como isto pode ser feito, levantamos alguns casos reais e benchmarks de indicadores de performance de empresas do setor farmacêutico para ilustrar a importância de olhar o futuro sem esquecer do presente. Confira!

O ciclo virtuoso da Transformação digital

“Considerando que o mercado farmacêutico está em contínuo crescimento, é necessário que as empresas façam investimentos pensando em manter o ciclo virtuoso no setor. Para isto, é fundamental adotar tecnologias disruptivas (inteligência artificial, Internet das coisas (IoT), Big Data…) e aumentar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Mas, ao mesmo tempo, nunca esquecer de deixar uma infraestrutura de processos e sistemas de gestão que possam garantir sem traumas o crescimento sustentável”. comenta Gabriel Robert, CEO da Silimed, empresa especialista em implantes de silicone para diferentes indicações.

Enquanto o mercado evolui por meio da indústria 4.0 com novas tecnologias denominadas “inteligentes”, pode observar uma nova revolução industrial chamada Industria 5.0. Nela, há novamente o toque humano, em que homem e máquina se colaboram visando uma precisão de alta velocidade da automação industrial com as habilidades de pensamento cognitivas e críticas dos seres humanos. Esta simbiose tem como objetivo alcançar o individualismo do consumidor em sua procura, que tendem a ser mais personalizados e customizados a suas necessidades.

Crescimento e a importância dos recursos humanos

Ter uma empresa inteligente no futuro implicará em investir em novas tecnologias que atendem não somente a gestão e controle internos de seus negócios, como também ter foco nos recursos humanos. Com estes dois grandes recursos aliados será possível entender cada vez mais o perfil do consumidor e do público-alvo, o que será fundamental para manter a competitividade.

“Os investimentos em P&D e a adoção de práticas e tecnologias que tragam maior competitividade representarão geração de novos empregos, fator necessário para a retomada de uma agenda positiva ao país. Capacitar e preparar os recursos humanos para a transformação digital que está acontecendo hoje é uma questão de sobrevivência”, explica Fabio Barnes CEO da Engine, empresa especializada em melhoria de gestão para a indústria farmacêutica.

Indicadores de performance da indústria farmacêutica

Considerando o crescimento do mercado farmacêutico, um ponto-chave para o sucesso dos gestores e empresas do setor é possuir a capacidade de fazer análises mais complexas do perfil dos consumidores e das tendências tecnológicas. Porém, sem desconsiderar todas exigências governamentais e de seus órgãos reguladores.

Estes desafios se estendem à gestão de lançamentos de novos produtos; registros e versionamento de documentos regulatórios exigidos por lei; e controle de medicamentos com rastreabilidade desde a fabricação até o consumo pela população, conforme determinação da Lei 11.903. Neste último quesito, o objetivo é passar uma maior segurança aos pacientes em relação aos medicamentos utilizados, até um maior controle de produção e de logística, além de facilidades de fluxos e manutenção de padrões regulatórios de conformidade.

Para manter a saúde e continuidade dos negócios do setor, a tecnologia da informação tem disponibilizado vasta gama de soluções de classe mundial voltadas ao negócio que possibilitam forte automação de processos de forma integrada e informações gerenciais rápidas e confiáveis.

Toda indústria visa melhoria de seus resultados. Mas, com o segmento farmacêutico cada vez mais competitivo e seletivo, faz-se necessário aos C-Levels terem o negócio em suas mãos para que tomem decisões assertivas, levando em consideração a grande competitividade e individualidade imposta pelo mercado.

A empresa coreana Boryung Pharmaceutical Co. Ltd. relata que após realizar a implantação de seu sistema de gestão SAP conseguiu obter melhoria de 17% no desempenho das entregas feitas dentro do prazo. Além disso, melhorou a margem operacional em 4,5% para os produtos manufaturados, obteve 15% menos dias de matéria-prima no estoque e diminuição de 75% no tempo necessário para fazer o período de fechamento.

Um dos casos de sucesso no mercado nacional é o Aché Laboratórios Farmacêuticos. A empresa relata melhorias de performance após adoção de soluções de gestão empresarial. O Laboratório brasileiro obteve redução do tempo do processo de fluxo de caixa de duas horas para impressionantes três minutos. O tempo de extração de notas fiscais para a composição de transporte também foi reduzido de 30 minutos para menos de um minuto.

Em análise realizada nos clientes do segmento farmacêutico que utilizam as soluções de gestão empresarial da alemã SAP, líder no mercado de software de aplicações e que afirma que cerca de 77% das transações mundiais de faturamento tocam de alguma forma seus sistemas, aponta ganhos significativos de performance. Destacamos alguns abaixo:

  • 10% a 30% de aumento na entrega feita no prazo;
  • 25% –30% de redução nos níveis de estoque;
  • 10% –20% de aumento na satisfação do cliente;
  • 10% –12% de redução nos dias de estoque;
  • 10% –15% de redução no estoque;
  • Redução de 10% a 12% nos custos totais com logística;
  • Redução de 3% –5% nos custos de planejamento da cadeia de abastecimento;

Tomar decisões sobre manter o negócio atual e planejar uma estratégia futura em paralelo são e continuarão a ser por muito tempo parte dos sonhos e pesadelos de muitos CEOs. No entanto, certamente, olhar os casos de sucesso sem reinventar a roda e adotar as melhores práticas de mercado são os caminhos menos penosos para os bons gestores de empresas. Apesar de parecer óbvio, é sempre bom relembrar que o futuro começa pela boa administração do presente.